quinta-feira, 11 de setembro de 2008

A HISTÓRIA DA CAPOEIRA - PARTE 5


A LEGALIZAÇÃO DA CAPOEIRA


Ao ser abolida a escravidão, alguns ex-escravos foram de volta para a África, mas a maioria permaneceu no Brasil. Os fazendeiros, porém, não eram se interessavam neles como força de trabalho paga, pois os imigrantes custavam menos. Esta massa de ex-escravos se dirigiu para as grandes cidades; todavia, não conseguiram encontrar trabalho nem moradia. Não sabendo como sobreviver, utilizavam a capoeira de várias maneiras: alguns faziam espetáculos nos arredores do porto para os turistas e marinheiros; outros se organizavam em gangues criminosas roubando e assaltando os ricos; outros decidiram se alistar no exército ou serem assumidos como guarda de corpo de políticos e altos funcionários estaduais. Então, o capoeirista era visto como um indivíduo distinguindo-se no universo urbano e tentando, de sua maneira, integrar-se e viver naquela nova sociedade. Progressivamente, as diferentes manifestações se tornaram mais visíveis e mais toleradas pelo povo que até começou se demonstrar interessado em conhecer a capoeira e aprender alguns elementos básicos.

A lei proibindo a capoeira permaneceu em vigor até 1920, mas naquela altura ainda não era muito fácil abrir uma escola ou academia. Durante muitos anos, o terreiro foi o mais importante centro de prática e divulgação da dança guerreira. O evento definitivo marcando o fim das persecuções e a chegada de uma nova época para a capoeira, foi dada por um mestre de Salvador, chamado Manoel dos Reis Machado, o Bimba, o Mestre dos Mestres. Em 1937, Mestre Bimba foi convidado à capital para uma demonstração oficial de sua arte. Depois do grande êxito, obteve a permissão para abrir a primeira escola de capoeira no Brasil, o que marcou o primeiro passo para uma maior abertura cujo ápice foi a declaração da capoeira como esporte nacional.

A capoeira experimenta agora no Brasil um grande desenvolvimento e tem a tendência a se expandir também no estrangeiro: a beleza da luta nascida do desejo de liberdade dos negros oprimidos.

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