
OS AGÉIS BANDEIROS
Notícias históricas sobre a capoeira como arte marcial remontam aproximadamente ao final do século XVIII, especialmente algumas actas policiais do Rio de Janeiro dos idos de 1800. Durante o dandyismo, até meados do século XIX, os capoeiristas eram sempre descritos como seres elegantes, refinados, dotados de uma agilidade fora do normal. Escravo em fuga, ou agil bandeiro, seguido por uma aragem legendária provocando admiração e simpatia entre seus similares, o capoeirista se torna o objeto de uma repressão violenta, considerado pelos governantes uma “chaga social”, suspeitado de querer destruir a vida política do país.
Todavia, na última década do século XIX, até membros da alta sociedade começaram praticar a capoeira; isto foi considerado uma ameaça pelo governo, que criou um pequeno corpo policial especial para controlar a situação. Não obstante a intimação contra esta prática, alguns chefes de polícia eram mesmos excelentes capoeiristas podendo assim lutar contra o “inimigo” na mesma maneira. A criminalização da capoeira não encontrou muitos consensos, mas marcou a vitória de uma facção da classe dirigente nacional. No dia 11 de Outubro de 1890, só dois anos depois a abolição da escravidão no Brasil, foi promulgada uma lei proibindo a capoeira e prevendo sanções penais de dois a seis meses de trabalhos forçados a quem a praticasse.
Como praticavam a capoeira não só ex-escravos e mestiços, esta lei acabou por afetar inclusive expoentes da nobilidade. Não obstante a persecução, a luta de origem africana continuou a resistir e sobreviver, praticada nas praças das periferias das cidades e durante as festividades organizadas pelas comunidades negras. Muitas vezes as patrulhas da polícia chegavam de improviso, mas os capoeiristas tinham sinais convencionais, com os quais avisavam seus companheiros. Assim fazendo, conseguiram conservar e perpetuar suas tradições por gerações, ensinando a capoeira a seus filhos e a quem quiser aprendê-la.

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