
A ORIGEM DA CAPOEIRA
Os escravos africanos tinham grande vigor físico devido principalmente ao intenso esforço muscular requerido pelo trabalho. Por conseguinte, na luta corpo a corpo, eram efetivamente superiores aos portugueses. A aparente submissão aos donos era só a maneira para os escravos, que tinham usos e costumes diferentes, ganharem o tempo necessário para aproveitar uma ocasião para fugir, embora fosse ainda mais difícil, pois eles não tinham uma língua comum.
Os africanos não podiam trazer consigo nenhum tipo de arma, nem ter comportamentos violentos, não havia, enfim, modo nenhum de lutar contra seus carcereiros de maneira igual. Podiam só celebrar os ritos de sua própria cultura ao acabar o horário de trabalho; estes eram os únicos momentos em que podiam pedir ajuda e proteção a suas divindades, procurar uma maneira de reagir com a única arma que tinham a disposição: seu corpo. Disfarçando a luta na dança e com a ajuda da música e das cantigas, os escravos podiam treinar perante os feitores sem despertar suspeitas. Os movimentos do corpo dos africanos serviram como base para o desenvolvimento de uma luta coletiva. A energia, a fluidez e a agilidade do corpo conjugaram perfeitamente o fascínio da dança com a eficácia da luta. A maioria dos golpes trazia inspiração das técnicas de ataque e defesa de alguns animais, reproduzindo também a ação de alguns instrumentos de trabalhos utilizados no cotidiano.
Através de uma comunicação sem palavras e conjugados na plasticidade e harmonia de gestos comuns, seus sentimentos encontraram desafogo na revolta e na insubordinação às regras do sistema colonial numa maneira absolutamente invisível a seus opressores.

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