terça-feira, 7 de outubro de 2008

CANTIGA [004]

(São Bento Grande / Regional)

Clarão da lua tem onda no mar
eu vi de longe o Cruzeiro do Sul
verga madeira, o Berimbau já chora
é roda de Capoeira
do meu grupo Aú*

[CORO] CLARÃO DA LUA TEM ONDA NO MAR
EU VI DE LONGE O CRUZEIRO DO SUL
VERGA MADEIRA, O BERIMBAU JÁ CHORA
É RODA DE CAPOEIRA
DO MEU GRUPO AÚ

No grupo Aú aprendi a lutar
com paciência o mestre me ensinou
a ser guerreiro, forte, mandigueiro
a honrar o meu grupo
seja aonde for

[CORO] CLARÃO DA LUA TEM ONDA NO MAR
EU VI DE LONGE O CRUZEIRO DO SUL
VERGA MADEIRA, O BERIMBAU JÁ CHORA
É RODA DE CAPOEIRA
DO MEU GRUPO AÚ

----------------------------------------------------------------------
* Muitos dos que lerem essa letra ficarão intrigados: mas o nosso grupo não se chama "Planalto Capoeira"? Sim, é claro. Mas foi no grupo Aú de Capoeira que os graduados se formaram, desde o Professor Sílvio, o fundador do nosso grupo, até eu mesmo. Essa cantiga, portanto, é uma homenagem ao grupo Aú, "onde aprendi a lutar", como já diz a cantiga.

LEGENDA DAS CANTIGAS

Para fins de esclarecimento, vou postar aqui o significado dos marcadores das cantigas que ando postando no blog:



(Tipo de toque: Angola, Yuna, Makulelê, Regional, etc.)
(momento em que se deve tocar a cantiga)

Letra em fonte normal indica que neste momento somente o tocador do Berimbau canta

[CORO] LETRAS EM MAIÚSCULA REPRESENTAM O CORO, MOMENTO EM QUE TODOS DEVEM CANTAR

CANTIGA [003]

(Qualquer toque)
(Quando um capoeirista derruba outro na roda)

O facão bateu embaixo

[CORO] A BANANEIRA CAIU

O facão bateu no meio

[CORO] A BANANEIRA CAIU

CANTIGA [002]

(Angola / São Bento Pequeno)

Quando eu chego no mercado modelo
modelo
perto do amanhecer

Tem muita gente me esperando
perguntando "ó negão, que vai fazer?"
e eu respondo:

[CORO] EU SOU CAPOEIRA... E BATUQUEZEIRO

Lauê...

[CORO] EU SOU CAPOEIRA... E BATUQUEZEIRO

Lauá!

[CORO] LÁ LÁ LÁ LÁ LÁ LAUÊ

Lauê

[CORO] LÁ LÁ LÁ LÁ LÁ LAUÁ

Lauá

[CORO] LÁ LÁ LÁ LÁ LÁ LAUÊ

Tô chegando da Bahia, vim aqui só pra lhe ver!

[CORO] LÁ LÁ LÁ LÁ LÁ LAUÊ

Lauê

[CORO] LÁ LÁ LÁ LÁ LÁ LAUÁ

Lauá

[CORO] LÁ LÁ LÁ LÁ LÁ LAUÊ

Capoeira é a minha vida, a razão do meu viver!

CANTIGA [001]

(Angola)
(Ladainha)
Negro...
A escravidão já acabou
você já sofreu demais
passou frio e passou fome
olha quanta injustiça
isso não se faz com homem
Graças à Capoeira
chegou a libertação
essa cultura maneira
que invade o caração
Negro
Tu me ensina essa arte
para livre eu também ser
sei que nunca fui escravo
eu não sei o que é sofrer
Iê viva meu Deus...

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

A RODA E SEUS RITUAIS


Uma roda é o momento de máxima expressão estética, cultural e simbólica da capoeira; é o lugar onde os capoeiristas se confrontam entre eles, dançando, mudando e sobretudo jogando. Durante a luta, conforme as dinâmicas que se criam durante a interação, eles fazem gestos e rituais ligados às tradições populares e aos cultos religiosos afro-brasileiros. Muitos ritmos exprimem a fé numa energia cósmica, o Axé, fluindo dentro da roda e alimentado as ações dos jogadores.


Geralmente a roda se desenvolve no modo seguinte: Os tocadores são os primeiros a se disporem em linha. Ao chamamento do berimbau, o instrumento simbólico da luta afro-brasileira, os capoeiristas se aproximam formando uma roda que abrange toda a bateria musical. Os tocadores começam a tocar cada um seguindo uma ordem específica até todos os instrumentos se fundirem em um ritmo só e o cantador entoar uma solene cantiga inicial (ladainha). Logo depois, se introduz outra que demarca a entrada do coro de todos os presentes. Daí, a interação vocal entre o cantador o os outros jogadores prossegue também nas cantigas sucessivas durante todo o jogo. Ao acabar a segunda cantiga, um sinal acústico do berimbau autoriza o primeiro par de capoeiristas a iniciar o jogo. Os dois se agacham em frente da bateria musical apertando as mãos, depois se abençoam - com o sinal da cruz ou levantando os braços ao céu – e tocam o instrumento sacro (o berimbau) para absorver suas energias.

Enfim, se inclinam perante ele como expressão de devoção e se dirigem ao centro da roda para começarem o jogo. A malícia da dança, a mandinga, se exprime nas contínuas dissimulações corpóreas que tentam pôr em dificuldade o adversário, bem como nos arranques súbitos (botes) que tentam surpreendê-lo em uma posição vulnerável.

AS CANTIGAS


As cantigas na capoeira são muito importantes; se insiste sobretudo em seu significado durante as fases do jogo. Existem quatro categorias principais: as Ladainhas, as Xulas, os Corridos e as Quadras. Durante a roda, se canta cada uma dessas cantigas em um momento específico assumindo um significado especial.


A LADAINHA


A ladainha é o canto que principia a roda de capoeira, cabendo a iniciativa ao mestre ou ao tocador do berimbau. As letras são muito solenes e podem contar eventos históricos especiais bem como homenagear as grandes personagens do passado. Durante a cantiga, todos os capoeiristas ouvem com interesse as palavras sem interferirem.


A XULA


A xula é uma forma de oração requerendo também o coro dos outros capoeiristas. O cantador diz frases breves de agradecimento que o coro repete juntando a palavra “companheiro” no fim de cada frase.

OS CORRIDOS


Com os corridos pode-se começar o jogo, mas somente depois de o berimbau dar a permissão entram os primeiros dois capoeiristas através de um sinal especial. É a cantiga mais freqüente e se compõe de frases breves alternando-se com o mesmo refrão. Geralmente, a primeira frase dita pelo cantador é aquela repetida pelo coro. Nas rodas de Angola os corridos são as únicas cantigas que podem acompanhar o jogo dos capoeiristas, enquanto na Regional, se podem também entoar as quadras.

AS QUADRAS


As quadras se compõem de estrofes mais longas de que os corridos, e mesmo os refrões variam, sendo diferentes por cada cantiga. Geralmente, o ritmo é mais rápido e são frequentemente acompanhadas pelo bater de mãos dos capoeiristas que compõe a roda.